Preservação da água: responsabilidade
Luiza Maia
Criado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1993, o Dia Mundial da Água foi a sinalização de que – já naquele momento – o mundo corria risco com a escassez deste bem natural que sempre foi tratado como fonte inesgotável. Cabe aproveitar estas linhas, que haverão de ser amplificadas para parte considerável da população, para fazer – de antemão – um importante alerta: a tarefa de preservar os recursos naturais, principalmente os rios e mananciais d’água, é ao, mesmo tempo e sem contra-senso, coletiva e individual.
É coletiva porque a falta generalizada d’água dever ser encarada como um problema de todos, inclusive é importante ressaltar a ocorrência de recentes conflitos armados mundo afora por conta do problema. Na outra ponta, a responsabilidade é individual em função do uso consciente que deve ser feito por cada cidadão no dia a dia, afinal de contas, como afirmam os milhares de poetas anônimos espalhados pelos quatro continentes, “os pequenos gestos sinalizam grandes atitudes”.
Colocando Camaçari no olho do furacão, é necessário dizer duas coisas inicialmente. Vivemos em um município privilegiado pela natureza. Moramos sob um dos maiores lençóis freáticos – abrigamos parte do aqüífero São Sebastião, fonte de água mineral de excelente qualidade – e possuímos rios, outrora vistosos, com grande potencial.
No entanto, é fundamental atentar à preservação dos nossos recursos hídricos, sobretudo pelo momento que estamos vivendo, por uma simples questão: ou concentramos esforços para salvar o que ainda resiste; ou só restará – daqui há algum tempo – o remorso pela perda imensurável que poderia ser evitada.
Para tanto, é necessário colocar a agenda ambiental, com ênfase na preservação dos rios que temos ao longo de 760 quilômetros quadrados de extensão territorial, na pauta governamental. E a Câmara Municipal deve estar obrigatoriamente na discussão, que, conforme já foi dito, diz respeito a toda a sociedade.
A revitalização do rio Camaçari, por exemplo, deve ser tratada neste momento pelo governo, instituições, entidades (parabéns ao SOS Rio Camaçari) e comunidade. As obras de esgotamento sanitário em curso na cidade, cujas frentes de trabalho ocupam diversos bairros, são fator favorável à recuperação deste rio que foi – em um passado não muito distante – fonte de lazer para a população.
Na orla, os esforços para a preservação do rio Capivara (que margeia a Aldeia Hippie, próximo ao mar de Arembepe), talvez o mais conservado dentre os existentes no município, e do Punhaí, em Barra do Pojuca, um dos mais poluídos, necessitam de potencialização. Este é um debate que precisa ser feito. Não dá mais para adiar. Chegou a hora!
Longe do objetivo de oferecer respostas aos problemas enfrentados pelos nossos rios e fontes d’água, este artigo pretende levantar a necessidade de esforço coletivo e plural à resolução de problemas. Que o Dia Mundial da Água seja, de agora em diante, mais límpido e encarado como um sinal amarelo permanentemente aceso diante dos nossos olhos.
* Formada em Letras com Espanhol pela Universidade Federal da Bahia, Luiza Maia é presidente da Câmara Municipal de Camaçari e está no 3º mandato de vereadora. Na eleição de 2008, teve 3.901 votos, uma das maiores votações da história de Camaçari.


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26 de maio de 2009 às 22:27
oi site é muito interesante e muinto informativo muito bom.