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Entrevista com juradas do Ballace


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Professora e Coreógrafa de Ballet Clássico, membro do Conselho Consultivo do Festival de Dança de Joinville, madrinha da Escola do Teatro Bolshoi do Brasil, a ex-bailarina, Toshie Kobayashe, é um ícone da arte da dança no país, com um extenso currículo dedicado ao ballet, principalmente como mestra. Em entrevista exclusiva para a Cidade do Saber, a professora fala do significado do ballet em sua vida e salienta a importância de festivais como o Ballace para aqueles que sonham em ser, um dia, grandes estrelas da dança.

Confira!

Cidade do Saber – O quão importante é o ballet para a senhora e qual ou quem, foi a sua motivação para escolher esse tipo de dança?

Toshie - Para mim, o ballet clássico é minha vida. A minha área. Se tivesse que recomeçar , começaria tudo novamente, da mesma forma. Eu iniciei a minha vida na dança através de minha mãe. Ela era uma mulher muito culta e me colocou quando criança, no ballet Odori, um ballet típico japonês.  Aos 08 anos minha mãe me disse “Agora você vai aprender Ballet Clássico!”. E eu nem sabia o que era ballet clássico! Então caí nas mãos de uma professora maravilhosa, Carmen Bonn, que ensinava o método Cecchetti (técnica desenvolvida pelo mestre de ballet Enrico Cecchetti). Estava acostumada com a dança japonesa, que é essa coisa para dentro, contida, ao contrário do ballet clássico que é essa coisa para fora, desinibida. Quando vi aquela senhora, uma italiana linda, de olho azul, me apaixonei pelo ballet. Ao iniciar os estudos, a professora achou que eu tinha talento para a dança. A partir daí nunca mais parei. Mas minha carreira foi um pouco curta, até 1970. Então montei a Escola de Ballet Toshie Kobayashe, que durou 43 anos. Agora sou aposentada do Teatro Municipal de São Paulo.

CS – A Escola de Ballet Toshie Kobayashe, fundada pela senhora, é referência na dança nacional, formando alguns alunos que hoje atuam em grandes companhias do Brasil e exterior. Quando surgiu e qual o grande diferencial de sua escola?

Toshie - Eu formei muitas meninas e muitos rapazes que hoje estão por aí no mundo afora. Muita gente saiu da minha escola! Eu acabei de dar um curso agora para professores de ballet (durante o Ballace) e expliquei como se deve estudar, pesquisar e ensinar. Não é só estudar por meio de vídeos, copiar e ir dar aula. Na minha época, você tinha que estudar de verdade para dar aula.  Tinha que pesquisar! Mas hoje em dia eu não vejo mais isso! Viajo o Brasil inteiro e percebo uma carência. As professoras de hoje talvez não passaram pelo que eu passei, talvez nem tenham culpa. Acho que a necessidade leva a isso: o medo de perder alunos, uma outra realidade mesmo. Por isso é que falei muito com elas, hoje no meu curso, para tomarem mais cuidado, pois estão lidando com seres humanos, com o futuro da dança desse país. E os bons professores do Brasil estão indo embora para outros países! E quando vi uma menina na minha sala, perguntei sua idade. Ela disse que tinha 15 anos! E perguntei : “15 anos e você já dá aula?” e ela disse “dou”! Imagina só, com 15 anos você não serve para si mesmo, quanto mais para dar aula, lecionar para uma outra criança, outro ser humano. É muita responsabilidade! Essa é minha preocupação no país: Bons professores para o Brasil!

CS – Quais as grandes dificuldades em manter uma companhia de ballet no Brasil?

Toshie - O maior problema nesse país é o mercado de trabalho. Você ensina a uma menina variadas técnicas para se aprender o Ballet, mas e depois? O que elas vão fazer com essa instrução? Para onde vai o conhecimento adquirido por elas? Cada município daqui tinha que ter uma companhia de dança, assim como na Europa, como qualquer país do mundo. Isso é mercado de trabalho! Elas chegam numa certa idade e param de estudar porque se perguntam: “Como é que vou ganhar dinheiro?” Um outro problema é o fator cultural. O “berço de dança”, como na Europa é comum. O brasileiro tem muito talento, mas não tem a cultura da disciplina, da obediência, da humildade, de querer aprender, de ensinar. E você não vai vingar na dança só com talento. É preciso disciplina. É primordial!

CS - Na sua opinião, qual o grau de relevância de um festival como o Ballace para o município de Camaçari?

Toshie - Eu acho muito importante. Mas acho que deve haver uma preocupação especial com as escolas, com os professores, para não iludir as crianças. Não iludir uma menina com o sonho de ser uma primeira bailarina, pois esse não é o caminho. Há pessoas que são contra os grandes festivais, contra concursos, mas não tem que ser contra. Há professoras no Brasil que cresceram através de festivais. Elas vêem, copiam e adquirem uma referência. Aqui, por exemplo, não há essa referência. No Rio de Janeiro há uma forte referência de Ballet Clássico, assim como São Paulo. Por isso que não se deve criticar os festivais. Qualquer lugar do mundo tem festivais que premiam com bolsas de estudo. Tem professores que começaram do nada, mas que hoje estão bem, devido às referências desses eventos.

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Nelma Seixas é uma conceituada professora de Dança Moderna, com atualização na Técnica de Martha Graham (uma das principais representantes da dança contemporânea nos EUA). Diretora e bailarina do Grupo de Dança Contemporânea da UFBA, ampliou a sua formação em Ballet Clássico pela  Royal Academy of Dance (RAD), Tai Chi Chuan pela Associação Internacional Brasil – China e Lian Cong pela Associação Baiana de medicina. Nessa entrevista, Nelma nos conta um pouco da sua trajetória e descreve as técnicas que utilizará no curso que vai ministrar durante o Ballace.

Confira!

Cidade do Saber – Qual a importância de Martha Graham para a dança moderna?

Nelma – Martha começou um pouco tarde para os padrões da dança, aos 20 anos. Ela quis romper com aquela forma de dançar como o vento, como as ondas. Era uma proposta de dança criada por Isadora Duncan (criadora da dança moderna). Apesar de querer romper essas estruturas, ela queria dançar as emoções e sentimentos que ocorriam em seu cotidiano. Ela não queria ser vento, não queria ser árvore. Ela queria buscar o que tinha ao seu redor. As suas dores, os seus sentimentos. Então ela desencadeou uma mudança, iniciada pela influência de Isadora, e deu uma continuidade, de uma forma mais interna.

CS – Além de jurada do Festival Ballace, você ministrará um curso de dança moderna. Qual será o conteúdo deste curso?

Nelma - Uso a técnica de Martha, o conteúdo a gente trabalha com os pés descalços, com movimentos percussivos, de contração, expansão, torção, de espirais, de eixos desequilibrastes; não os eixos nas verticais usados no clássico, mas as quedas e as recuperações usadas por Graham.

CS – Festivais como o Ballace acontecendo em cidades como Camaçari, que está fora dos grandes circuitos artísticos, é um exemplo a ser seguido? E você acredita que eventos como esses dinamizam a cultura local?

Nelma – Claro! Porque os habitantes, a comunidade, culturalmente falando, têm a oportunidade de ter contato com outros profissionais e com outros alunos. Tem uma visão mais ampliada. E é sempre bom acontecer essa permuta, essa troca de informação. Isso é enriquecedor!

CS – A sua formação é bem diversificada e vai do ballet clássico até as técnicas corporais orientais como o Tai Chi Chuan. A reunião destas diferentes vertentes contribui para a formação de um bailarino?

Nelma - Comecei na EBATECA (Escola de Ballet do Teatro Castro Alves) onde todo mundo começou o clássico e, paralelamente, na universidade. E eu tive o expressionismo alemão paralelamente com o clássico. Me formei pela UFBA, sou professora da Escola de Dança e tive essa formação em Tai Chi Chuan. O que para mim foi muito importante, pois me deu uma outra visão do que é o ser humano. Para um bailarino, quanto mais conhecimento ele tenha de expressões, de maneiras de trabalhar o corpo e de se exprimir, melhor. É preciso, primeiro, ter uma bagagem, para depois transmitir alguma coisa para outrem.

Um comentário para “Entrevista com juradas do Ballace”

  1. Rosana Rodrigues disse:

    Minha querida,amada e inesqúessível pró. Que saldade, você foi minha mestra na UFBA em Técnica 2 e 5, ensinamentos que trago comigo na vida e na minha sala de aula para meus alunos. O maior presente em ter passado pela aquela faculdade foi ter convivido com uma pessoa admirável e maravilhosa. Muitos beijos. Rosana Rodrigues.

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