O casamenteiro e o pescador
Fonte: Revista de História da Biblioteca Nacional
Que Santo Antônio tem fama de casamenteiro todo mundo sabe. Mas talvez muita gente ignore – ou não se lembre – que existem várias adivinhações de São João para arranjar marido. É só escolher. Enquanto isso, o fradinho português nascido em 1195 é posto à prova toda vez que o Menino Jesus é subtraído do seu colo ou quando é colocado de cabeça para baixo por alguma devota casadoira.
Atualmente, o 13 de junho quase não tem mais festa para o santo, que já foi militar (de soldado a coronel), com soldo e tudo, e vereador em Pernambuco. E, de quebra, além de dividir o posto de casamenteiro com São João e São Gonçalo do Amarante, também compartilha a fama de achar coisas desaparecidas com o requisitado São Longino, mais conhecido como São Longuinho. Afinal, segundo a tradição oral, Santo Antônio “aplaca a fúria do mar, tira os presos da prisão, o doente torna são, o perdido faz achar”.
O calendário junino não fica completo sem as comemorações em homenagem a São Pedro, guardião das portas do céu. Fundador da Igreja Católica e considerado o primeiro papa, o “santo chaveiro” divide o 29 de junho com um companheiro de pregação e martírio: o apóstolo São Paulo. Mas quem acha que Pedro sempre foi santo e nunca se lançou em aventuras pode estar enganado. Dizem alguns versinhos: “Vou contar-lhe uma história, que pra ninguém é segredo, o ator é conhecido, irei falar de São Pedro, sobre as suas traquinagens, também de suas coragens [...], mas depois foi promovido, como porteiro do céu…”. A tradição folclórica diz que, na Bahia, São Pedro é festejado pelas viúvas e pelos homens do mar por ter sido pescador. Também registra o costume antigo de todo Pedro soltar fogos e descarregar suas armas na véspera do dia do santo. Essa é ocasião do desfecho de uma brincadeira bastante conhecida: o “roubo da bandeira”. O costume era “surrupiar” a bandeira com a imagem do santo, presa no alto de um mastro na porta das casas. Mas tudo não passava de pretexto para mais festa. Os autores da façanha comunicavam ao dono da casa que a bandeira seria devolvida com toda a pompa na véspera de São Pedro, que encerra o ciclo junino.



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