Indique





Indique este artigo | Imprimir

Trajetória da Cidadania…


caminhaobau8

Imagine um caminhão-baú transformado em biblioteca móvel, munido de um acervo literário diversificado, computadores e brinquedoteca. Junte, à isso, um espaço para o desenvolvimento de jogos, oficinas de artes plásticas, práticas esportivas e de música. Parece um sonho? Mas não é. É a mais pura realidade. Este é, em resumo, o projeto Ponto Móvel Cidade do Saber, que desde o dia 04 de junho, iniciou a tarefa de semear conhecimento, lazer e cultura, por onde quer que passe; graças a uma parceria entre a Cidade do Saber, Secretaria de Cultura de Camaçari e a empresa Sol Meliá Resorts.

A cada dia da semana, uma comunidade diferente. E a cada comunidade, um novo benefício: a criança que aprende uma nova brincadeira, um adulto que percebe mais uma oportunidade. O resultado? Todos juntos, desenvolvendo seus talentos individuais, transformando suas vidas e ampliando seus horizontes.

No caminho, esporte e qualidade de vida…caminhao-movel-barra-de-pojuca-17-de-agosto-011

Essa é a rotina de quem participa e vê de perto a construção de um programa que, apesar do pouco tempo de vida, já demonstra resultados imediatos. Uma rotina que Joel Araújo, professor de Futebol, conhece muito bem: “O desenvolvimento dos meninos está ótimo. São crianças na faixa etária entre 06 e 16 anos que não tinham a oportunidade de treinarem futebol. Hoje, pelo menos uma vez na semana, elas comparecem aos treinos. A escolinha de futebol está tendo uma boa aceitação em todas as comunidades que chegamos”. Quem confirma o que o professor diz, é seu aluno, Luan Santos de Souza, de 09 anos: “Acho bom demais, porque a gente se diverte muito, não fica só em ‘Lan House’. Aqui a gente se exercita!”.

 

Receita para espantar os males é MÚSICA…

É relevante mencionar o interesse e a freqüência desses jovens aos cursos. Dedicam-se de coração e com entusiasmo. É por isso que Eric Mazzone, professor de percussão, fala desse aspecto em seu curso: “O projeto é recebido de braços abertos em todas as comunidades. E em cada uma delas, sempre me surpreende. Em Barra de Pojuca, por exemplo, a musicalidade é muito forte, assim também como a cena cultural-artistica. Há muitos grupos culturais que mantêm acesa a chama da música. É satisfatório estar em contato direto com a comunidade e ver que ela comparece!”.

No caso da percussão, esse contato é ainda maior, mais necessário e significativo, tanto para o educador, quanto para o aluno. É a ocasião em que o conhecimento surge: a técnica de quem ensina se junta à cultura local, que se manifesta no toque e no rítmo de um tambor. Desse modo, é que educador e aluno se complementam, surgindo um ideal de aprendizado.

O efeito é o potencial de cada um sendo revelado: “Aprendemos na prática e na teoria. Hoje mesmo, aprendemos a origem da música Axé, antes de iniciar a aula prática. Isso nos dá uma possibilidade de entendermos melhor aquilo que tocamos. É uma oportunidade para o meu desenvolvimento como músico e pessoa”, relata Lucas Costa Brito, 17 anos, morador de Barra de Pojuca.

Elaine Santos Souza
Elaine Santos Souza

São resultados que, de tão positivos, geram até algumas queixas: “As aulas são maravilhosas, mas gostaria que tivesse mais. Um dia só é pouco para mim!”, acrescentou Elaine Santos Souza, de 17 anos.

 

 

 

 

 

Joélio Santos é professor de Musicalização, um outro curso em que a música é evidenciada, mas de forma teórica.  Para ele, sair da estrutura da sede da Cidade do Saber e ir às comunidades – onde o padrão das instalações para a realização das oficinas, naturalmente, não tem o mesmo porte – tem uma vantagem: “Tenho a satisfação de ver esses alunos virem para as aulas, sem nunca faltar ou se atrasar, mesmo os que moram mais distante. A necessidade deles e a vontade é que me motiva. Uma satisfação minha e deles”, diz o professor.

 

 

*Clique aqui e assista o vídeo com os alunos de percussão de Barra de Pojuca.

 

 

 

Ler é Poder!!!

As descobertas e os efeitos que surgem quando uma pessoa desperta para aquilo que gosta ou que, às vezes, nem sabia que gostava, é gratificante. E isso ocorre de forma quase que diária na Oficina Literária, ministradas pelas educadoras Deyliane Cerqueira e Edney Querino. Com o objetivo de despertar o interesse pela leitura nas crianças, através da criatividade e da imaginação, as educadoras relatam que há uma boa participação dos alunos, onde os mesmo interagem de forma expressiva nas atividades.

Deyliane conta que, no início das atividade no Ponto Móvel, as crianças demonstravam um certo distanciamento em relação ao livro. Mas hoje já existe uma aproximação mais intensa, ao ponto de pegarem um livro para ler de forma espontânea. E como isso foi possível? Deyliane explica: “Desenvolvemos atividade de leitura e produção de texto, onde eles tem criado e representado suas próprias estórias. Uma atividade que eles adoram e pedem para repetir sempre. Fazemos esse paralelo entre a leitura e outras linguagens, como a teatral e a musical”. Assim, o desenvolvimento e o aprendizado acontecem naturalmente, como se tudo fosse uma grande brincadeira.

 

E claro, nessa oficina, também há talentos: “Temos aqui atores e escritores em potencial, que mostram suas habilidades através dessas atividades”, acrescenta Deyliane, que aponta para sua aluna, Daiane da Anunciação, de 11 anos, como um bom exemplo de contadora de estórias: “Gosto de ler e escrever. Tenho aprendido muitas coisas, como criar estórias e brincadeiras. Nos divertimos mesmo!”.

 

Arte e Geração de Renda

 

 

 

 

Assim como os outros cursos, os de Artes Plásticas tem uma considerável aceitação das comunidades, com o acréscimo de se mostrar uma prática que traz ao aluno uma imediata saída financeira, para complementar os gastos do dia a dia. Com as opções de “Patchwork” (Arte em Retalhos) e “Pintura em Tecido”, as comunidades tem demonstrado uma aceitação considerável. A professora de Patchwork, Miriam Moreira, diz que o curso é bem aceito por se apropriar da reciclagem, um modo de produzir arte sem custos muito altos. Os alunos tem a possibilidade de construir uma coisa nova à partir de sobras de tecido.  Pessoas como Zenilda Silva, de 51 anos, que aprimorou suas técnicas de costura e que pretende trabalhar de forma profissional, assim como Franciele Bonfim, que nunca tinha costurado, mas que aprendeu muito. A professora Miriam diz que ensina apenas a técnica, para que os alunos construam o seu trabalho. Devido a isso, o curso está funcionando muito bem, pois o resultado não se limitou a um único produto, mas sim a vários, como bolsas, almofadas, tapetes, cintos e outros acessórios.

caminhao-movel-barra-de-pojuca-17-de-agosto-004

Caso semelhante é o Curso de Pintura em Tecidos, da professora Marciela Paula: “O trabalho tem feito muita diferença na vida de todos. Nas comunidades de Camaçari, as pessoas são muito receptivas e, claro, com muitos talentos que se mostraram graças ao Ponto Móvel; sem contar na possibilidade de aproveitar o aprendizado para a geração de renda, através da venda das suas produções.” É o que pretende a moradora de Barra de Jacuipe, Maria José da Silva, de 33 anos, que aprendeu a gostar de arte e pintura no curso: “Mudou muita coisa em minha vida. Aprendi coisas que nunca imaginei que iria fazer”, comenta.

Próxima parada…

Esse é, apenas, o começo da longa viagem para a descentralização e efetiva democratização da arte, cultura e esporte no município de Camaçari. Ainda este ano, o Ponto Móvel chegará em outras localidades da orla, como Arembepe, Jauá e Vilas de Abrantes. Novos horizontes para a equipe do Ponto Móvel e para os usuários dos serviços ofertados. E outros projetos podem e devem estar somado a este, que, ainda não é suficiente, para tamanho talento e predisposição dos municípes na utilização do potencial da arte, da educação, do esporte e da inclusão social. Seguir em frente, até encontrar o caminho da plena CIDADANIA!

 

Resultado de uma das oficinas de leitura

Resultado de uma das oficinas de leitura

 

 

Deixe um comentário