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A caminho de que Índia, Cabral?


india

 

 

emerson-leandroPor Emerson Leandro Silva

 

Usarei este espaço para fazer uma confissão horripilante. Ontem eu assisti à novela das oito! Diga-se de passagem, recebe essa nomenclatura por puro eufemismo. Mas como tentativa de redenção deste pecado imperdoável, beirando o estágio da criminalidade, eu devo afirmar ter feito algumas observações, as quais considero pertinentes. A primeira é o modo como a cultura Hindu ou, em um termo mais adequado, a “Cult-hindu-pop” é apresentada na telinha da “plimplim”, que resume de forma irresponsável e preconceituosa uma cultura milenar e de características riquíssimas, ao qual deveria no mínimo ser tratada com dignidade e não sob uma estampa amena, difusa e superficialíssima de sua cosmovisão.

 

Lógico, toda obra tende a ser uma síntese do que pensa(m) seu(s) autor(es) e a liberdade de expressão é um direito garantido pela própria constituição brasileira. Mas quando conseguiremos alcançar um estágio onde seja possível o respeito à cultura do outro, sem que sejamos obrigados a conviver com afirmações ou insinuações do tipo a tradição X é uma herança cultural antiga? Se analisarmos mais detidamente esta expressão, perceberemos o quão ridícula ela é, afinal toda cultura tem de ser “antiga”, afinal é resultado de um processo histórico que não se iniciou hoje.

 

Quando a proposta é analisar algo tão “inocente” quanto a diversidade de opções de entretenimento, bojo do qual participam as telenovelas, corre-se o risco de fazê-la de forma maniqueísta e resumir o estudo a algo distante de uma linha de raciocínio crível e científica; mas corro o risco de uma possível mau interpretação de minhas afirmações, porque, ao mesmo tempo em que me incomoda, faz surgir em mim uma preocupação: como este modo tão “lúdico” de passar INformação é recebido pelos diversos “Antoins”, “Josés” e “Joanas” deste país? Quantas gerações poderão vir a influenciar-se por esta lógica equívoca de disseminação de conhecimento? Mas talvez isto seja apenas um devaneio tolo de um semi-aspirante a comunicólogo, que numa noite comum e entediante, quis produzir um texto pseudo-intelectual sobre algo tão inofensivo como a novela das oito, não é verdade? Devagar porque o santo é de barro, diria minha avó…

 

Novela, nosso faz de contas

 

A análise da história social do Brasil é marcada pela homogeneização cultural. E enquanto os autores de telenovelas dedicarem-se a mostrar a cultura do outro, tomando como base a superficialidade presente na lógica: Personagem “A” (da cultura “nobre”) se envolve com o personagem “B” (da cultura “ultrapassada”) e “A”, mesmo apaixonada por “B”, terá que ficar com “Y”, porque fora prometida a ele por seus pais, levando em consideração o quanto de lares a TV alcança e sua conseqüente influência, pode se ter uma noção do quão prejudicial é nortear a transmissão de saberes por esta lógica equívoca. Na grande maioria das vezes nosso espírito romântico torcerá para que “A” e “B” cheguem ao final da trama juntos e felizes para sempre.

 

Concomitantemente este mesmo espírito torcedor e altruísta transformará os pais de “B” (que seguem suas tradições) em vilões autoritários e insensíveis; neste meio termo, concluiremos: Eles, e SEUS TRAÇOS CULTURAIS, estão errados. É obvio que esta é apenas uma das inúmeras possibilidades de formas, que podem atingir o grande público, mas devo confessar, por mais teleológica que possa parecer é a única que em sua simples possibilidade de tornar-se real, já me preocupa.

 

Emerson Leandro Silva é graduando dos cursos de Comunicação Social com Relações Publicas e de Ciências Sociais.

 

As opiniões expressas aqui são de exclusiva responsabilidade do autor e não estão, necessariamente, de acordo com a opinião de qualquer colaborador da Cidade do Saber ou do posicionamento Institucional.

4 comentários para “A caminho de que Índia, Cabral?”

  1. Gisele disse:

    Parabéns Emerson!Infelizmente o mundo cor de rosa que a novela insiste em pintar não é real.Que digam os pobres que são a maioria no país.A ostentação, o luxo e todas as regalias que desfrutam as castas de famílias bem nascidas,mas se parecem com o Brasil,a minoria rica desfruta toda riqueza,enquanto pobres reviram o lixão para saciar a fome,é uma vergonha isso,já mandei vários e-mails,para autora Gloria Perez,mas parecem que ela não quer enxergar a realidade!Deve dar audiência…Enquanto isso,nós telespectadores,somos obrigados a assistir esse absurdo,e torcer para que essa novela acabe,como não sou muito fã de novela,prefiro os telejornais,pelo menos a realidade se faz presente,nua e crua,Caminho das Índias é um soco no estomâgo de qualquer cidadão consciente.

    Gisele Rabelo.

  2. jose rodrigeues de oliveira disse:

    como eu sou um forasteito chegei aqui em 1975 camaçari nao tinha quese nada eu me sinto um dos que comecei a costruir camaçari hoje vejo tantas coisas boa e bonita e eu ainda nao posso participar das ciosas boa de camaçari pois moro aqui mas trabalho fora venho aqui faser visita mas logo logo devo ficar difinitivo pois estou perto de paga ferias difiniva e descanssar estou penssando em ser um vonluntario nao seio como mais temho que arrumar o que faser pois nao consigo ficar sem faser nada sou paraibano de nação bahiano de coração filho nora genrro baiano neto tudo bahiano nao fuju da realidade

  3. ANA LÚCIA disse:

    Achei a opinião do Emerson muito radical, acho que ele esqueceu que, independente de qualquer coisa, as novelas ainda são a forma de lazer mais barata e que conseguem atingir a maioria dos brasileiros, portanto, o que queremos é diversão. Chega de coisas tristes e desagradáveis.

  4. Caio Cultura disse:

    Ana Lúcia,

    É justamente isso que o sistema quer, “divertir” o povo para atrofiar a mente… Meu bem, você já esteve nos sambas de roda de Parafuso? Ou na chegança de Arembepe? Quem sabe tu foste na saída de terno de Barra do Pojuca? Pura diversão “REAL”, alegria, emoção… Só que o povo não gosta dessa, ou seja, da nossa, da terra! O plin, plin destruiu esse possível gostar!

    Acorda, Ana!

    Cheiro!

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