Voz da experiência, produção cultural
Fonte: O Globo
RIO – Para ilustrar a importância de um produtor cultural, Tatiana Zaccaro, gerente de negócios da Fagga Eventos, empresa que está organizando a XIV Bienal Internacional do Rio de Janeiro, que acontece de 10 a 20 de setembro no Riocentro, conta um episódio tragicômico: numa das bienais que ajudou a produzir, um locutor faltou e teve de ser substituído às pressas.
- O substituto tinha que anunciar a entrada do Zuenir Ventura e perguntou “o que era Zuenir”. Isso jamais pode acontecer. Quem trabalha com produção tem que saber quem é o Zuenir, o Ferreira Gullar, a Lygia Fagundes Telles, entender sobre o que está falando – diz Tatiana.
Graduada em jornalismo com MBA em Marketing, ela respondeu a algumas das mais de 30 perguntas enviadas por leitores do site do GLOBO.
Como você vê a distinção entre produção cultural e de eventos? (Guilherme Oliveira)
TATIANA ZACCARO: O produtor cultural participa desde a concepção do projeto, passando por contratação de profissionais, captação de recursos, enquadramento em leis de incentivo, controle orçamentário, divulgação, até a montagem de shows, peças, exposições etc. É preciso ter embasamento e conteúdo que o produtor de eventos geralmente não tem. Ele fica responsável mais pela execução e precisa dominar a parte técnica, saber tudo sobre equipamentos e como montá-los.
Que valor você vê nos formandos dos cursos de produção cultural? (Caio Branco)
TATIANA: O embasamento que uma faculdade dá não tem preço, pois ela abre um leque de oportunidades e conhecimentos muito importante. Mas procure ter experiências de estágio e de trabalho, mesmo como freelancer, em produção cultural. Já tive dois estagiários dessa área, um da UFF e outro da Candido Mendes, e de outros cursos como Marketing. Hoje, num processo seletivo, se houver candidatos formados em produção cultural, a tendência é que eu os selecione em detrimento daqueles que não têm o diploma. Se você está prestando vestibular e quer trabalhar com isso, é o curso que deve fazer.
Quais cursos extras você indicaria? (Benedito Cirilo)
TATIANA: Se você descobriu já durante a sua vida profissional que quer trabalhar com produção cultural, procure fazer cursos de curta duração. Quando vim ser gerente da Bienal, procurei fazer cursos menores de especialização por não ter feito faculdade nem pós-graduação nessa área.
Como está o mercado de trabalho na área? (Valéria Garcia)
TATIANA: O mercado está aquecido, e há muitas oportunidades no Rio, que é visto como um polo cultural do país. A quantidade de eventos e projetos culturais tem aumentado bastante. É um nicho que vem crescendo e tende a crescer cada vez mais. Como boa parte do mercado é informal e as produções são periódicas, há uma gama de profissionais que são freelancers, muitos por decisão própria. Um recém-formado ganha em média de R$ 1.600 a R$ 2.400, e um bom produtor chega a um salário de R$ 8 mil a R$ 15 mil.
Quais as características necessárias para um produtor cultural? (Mariana do Carmo)
TATIANA: Tem que ser desinibido, pró-ativo, criativo e dinâmico. É preciso ser cara de pau para captar recursos, ligar, insistir, encher o saco. É necessário ser pau para toda obra, fazer um pouco de tudo, pois, às vezes, você está cuidando de um orçamento de R$ 15 milhões, mas precisa improvisar virando contrarregra. Tem que ter jogo de cintura, saber gerir pessoas, unir equipes, ser duro, mas também elogiar; ter inglês fluente, conhecimentos das ferramentas de internet web 2.0 e redes sociais para divulgar eventos. Conhecer gente é fundamental. Converse com as pessoas, mande currículo, troque cartões etc.
Você poderia indicar dois livros fundamentais para o profissional da área? (Flávio Pinto)
TATIANA: Dois muito bons são “O avesso da cena: notas sobre produção e gestão cultural”, do Rômulo Avelar (www.duoeditorial.com.br), e “Aprenda a organizar um show”, do Alê Barreto, que você encontra no Overmundo. Livros de gestão e marketing, como os do Philip Kotler, também são importantes.
http://oglobo.globo.com/educacao/mat/2009/09/01/voz-da-experiencia-para-tatiana-zaccaro-um-bom-produtor-cultural-tem-que-ser-desinibido-767410796.asp


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3 de setembro de 2009 às 15:30
Fico feliz em ver que pessoas que trabalham com produção cultural no Brasil estejam cada vez mais se especializando, além de prática também academicamente.
É muito importante o reconhecimento dos profissionais que tem uma certificação, pois efetivamente estão qualificados a atuar nessa área de forma séria e com um horizonte de conhecimento prático e reflexivo, podendo assim prestar serviços de qualidade a comunidade.
Lógico que a experiência prática é fundamental, pórem aliada a uma base teórica nos tornamos profissionais mais capacitados.