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FIAC-Ba reafirma Estado no circuito mundial


Festival Internacional de Artes Cênicas da Bahia reafirma Estado no circuito mundial

 

 

Fonte: Divulgação

 

 

Segunda edição do festival reúne 27 espetáculos de seis países e traz oficinas, debates, lançamento de livro e novo espaço de convivência, com diversas linguagens artísticas

 

Depois de uma estréia de sucesso, a Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, através do Fazcultura, Fundação Cultural e Irdeb, apóia a segunda edição do evento que será realizado de 23 a 31 outubro, em Salvador.  Reunindo artistas e companhias de seis países, o Fiac-BA traz 27 montagens que contemplam várias vertentes do teatro e da dança contemporânea. Entre elas, sete são internacionais e 12 nacionais – todas inéditas na Bahia, sendo que uma delas, Boca do Inferno, do grupo alemão Das Helmi, é fruto de um intercâmbio com atores baianos, promovido no festival. A programação se completa com uma seleção de oito espetáculos locais, reafirmando o compromisso do Fiac-BA em estimular o diálogo direto da produção do estado com a pluralidade das artes cênicas contemporâneas produzida no Brasil e no mundo. A iniciativa inclui ainda atividades de formação e reflexão, como oficinas, palestras, encontros e lançamento de livro, além de um espaço de convivência que engloba outras linguagens artísticas, o Lounge Fiac Oi Futuro.

 

A programação internacional do evento traz para Salvador obras da França (L’Effet de Serge e La Prix, La Porte), do Chile (Neva e Diciembre, da respeitada companhia Teatro en el Blanco), do Senegal (J´accuse) e Dinamarca (Orô de Otelo, uma produção do mestre Eugenio Barba – um dos grandes nomes do teatro moderno – com o bailarino baiano Augusto Omolu, a partir da simbologia do candomblé). Entre os nacionais, a capital baiana recebe criações de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, numa diversidade que inclui o cruzamento de hip hop e dança contemporânea (H3, do Grupo de Rua, reconhecido internacionalmente) e de ilusionismo e teatro (Além da Mágica), trabalhos de clown (A Noite dos Palhaços Mudos, do consagrado grupo La Mínima) e centrados na investigação de uma dramaturgia moderna e da interpretação, a exemplo de Rainha(s), Duas Atrizes em Busca de um Coração, In On It, Comunicação a uma Academia e Madrigal em Processo.

 

“O sucesso da primeira edição trouxe alegria, mas veio acompanhado de muita responsabilidade. Assumimos, desde o princípio, tentar trazer para a Bahia uma programação voltada para o que está acontecendo no mundo, em termos de experimentação estética e de linguagem. Continuamos com o mesmo espírito e comprometimento, pautados pela busca de espetáculos de qualidade, provocadores e inovadores”, enfatiza Nehle Franke, codiretora do Fiac-BA. Diretora de teatro e correalizadora do projeto Cultura e Pensamento, ela divide a coordenação do festival com Felipe de Assis (diretor de teatro) e Ricardo Libório (administrador e correalizador do projeto Cultura e Pensamento).

 

O Fiac-BA, único festival de artes cênicas de caráter internacional do Norte e Nordeste, é apresentado pela Oi (através do Fazcultura) e Petrobras (através da Lei Rouanet) com patrocínio da CAIXA, FUNARTE – Fundo Nacional de Cultura, Secretaria da Fazenda e da Cultura do Estado da Bahia. A realização é da Realejo Projeto Culturais e Fapex – Fundação de Apoio à Pesquisa e à Extensão da Ufba.

 

 

Abertura

 

A provocação e a inovação às quais a diretora se refere não faltam à peça que, emblematicamente, abre o festival, Regurgitofagia, dia 23, às 20h, no Teatro Castro Alves. Nela, o ator e autor Michel Melamed lança mão do cruzamento de várias linguagens (teatro, poesia falada, stand-up comedy, performance e artes visuais) para discutir a sobrecarga de estímulos do mundo contemporâneo e a relação que a sociedade de consumo estabelece com a cultura. Através de uma interface tecnológica, cada reação sonora da platéia (risos, aplausos, tosses etc.) é captada por microfones e transformadas em descargas elétricas sobre o corpo do ator/autor. Assim, Melamed constrói uma espécie de espetáculo-manifesto, no qual propõe que se “vomite” os excessos a fim de avaliarmos o que de fato queremos redeglutir.

 

A partir da noite da abertura, o Fiac-BA se espalha por 11 casas de espetáculos, além de ruas e praças da cidade. “O público deve esperar uma programação diversificada e com um olhar bastante especial para o trabalho do ator”, aponta Felipe de Assis. Ele enfatiza que, mesmo com as reverberações da crise econômica mundial, o festival firmou parcerias e assim conseguiu manter sua estrutura e ainda ampliar (de 23, na primeira edição, para 27) a oferta de atrações. “Muitos desses espetáculos têm elenco reduzido. Isso não foi um critério, mas num ano de incertezas, pode ter nos influenciado indiretamente. Contudo, o que pautou a escolha foi a qualidade”, assegura o coordenador.

 

Ricardo Libório lembra que a questão da redução de verba interfere e influencia a produção das artes cênicas em geral e que, no Brasil e no mundo, discutem-se as maneiras de fomento e as políticas culturais. “As montagens que se apresentam no festival vêm de contextos socioeconômicos particulares, então, o debate sobre esse tema está na programação, mas não foi um critério norteador. O espetáculo francês L’Effet de Serge, por exemplo, investiga essa questão, questiona o lugar do teatro”, cita Libório. A curadoria do Fiac-BA é realizada através de viagens nacionais e internacionais dos coordenadores, que verificam in loco os espetáculos que podem integrar a programação do festival. A consulta a outros curadores e críticos e o recebimento de material via correios, dentro de um período de inscrições, também serve de base para a seleção.

 

 

Mostra local

 

Já os espetáculos baianos foram escolhidos entre cerca de 50 inscritos. O ano passado foram 55. “Nacionalmente, houve um pequeno aumento nas inscrições, pois o festival se tornou conhecido para mais pessoas e teve uma repercussão positiva em 2008. Mas o número de inscrições locais foi um pouco menor. Talvez porque no primeiro ano demos vazão a uma demanda reprimida, que na segunda edição não havia mais”, observa Felipe de Assis. A diversidade de propostas das artes cênicas contemporâneas se reflete na mostra local – que traz um forte acento regional.

 

As manifestações populares do nordeste do país permeiam cinco dos oito espetáculos baianos. Em Jeremias, Profeta da Chuva, o simbolismo da vida sertaneja, com a tristeza da penúria e a alegrias dos festejos, reveste a história de um visionário em um povoado marcado pelo flagelo da seca. Redimunho revisita o universo mítico do cotidiano do sertão, enfatizado na figura do boi, do vaqueiro, da mulher e da cobra. Auto da Gamela transfere para o interior baiano signos e personagens do cristianismo, com um Cristo sertanejo e seus Três Reis Magros. Já Cordel do Pega prá Capá se inspira na popular linguagem dos folhetos e no dia a dia das feiras livres do recôncavo.

 

O regionalismo também se apresenta em Tataravó, espetáculo de clown que busca inspiração nos artistas de rua e nos trios musicais nordestinos, composto por zabumba, sanfona e triângulo. Já o universo feminino se apresenta em Meninas, Corram!, que questiona o modelo de mulher numa sociedade de consumo, e em Doralinas e Marias, narrativa de caráter subjetivo, sobre a mulher e o tempo, tendo como matéria-prima o imaginário – memórias, sonhos, lembranças e vivências de gerações passadas – e como ele se desdobra no cotidiano. Completa a programação de montagens baianas, Umbigo, espetáculo de dança que estréia no Fiac-BA e aborda tolerância nas relações pessoais.

 

 

Ações formativas

 

Outro aspecto fundamental do Fiac-BA é o seu caráter formativo. Além das apresentações, a classe artística contará com uma programação paralela de oficinas e encontros com artistas de diferentes estéticas, técnicas e contextos culturais. Aliadas a debates, lançamentos de livros e palestras, abertos ao público em geral, essas ações potencializam o intercâmbio artístico proposto pelo festival. Entre os workshops oferecidos, este ano, estão o de uso de máscaras balinesas e de máscaras larvárias, mágica, palhaçaria, construção de dramaturgia em processos colaborativos, musicalidade do corpo e interpretação.

 

Os processos de intercâmbio entre artistas – e, neste caso, também com o público – se estendem ao novo espaço do festival, o Lounge Fiac Oi Futuro, que vai funcionar no pátio do Goethe-Institut/ICBA. “Sentimos falta, no ano passado, de um lugar que proporcionasse encontros mais descontraídos, ou de caráter menos formais. O lounge é um espaço voltado para troca de idéias, com artistas, técnicos, produtores… Vai ser um local de trabalho, discussão e convívio do Fiac-BA”, propõe Nehle Franke. A programação do local, com curadoria do jornalista e escritor Marcelo Rezende, inclui trabalhos de videoarte e interferências de coletivos locais de artistas plásticos.

 

 

Ingressos

 

De 18 a 20 de outubro, os ingressos para o Festival serão vendidos a preços promocionais de R$ 6,00 (inteira) e R$ 3,00 (meia), exclusivamente na bilheteria do Teatro Castro Alves (das 12h às 18h) – Informações (71) 3117-4899

 

No dia da apresentação, a venda de ingressos se dará exclusivamente nas bilheterias dos teatros. Durante o Festival (de 23 a 31 de outubro), o valor de qualquer ingresso é de R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia).

 

Exceções:

 

* Além da Mágica (dia 28) e Auto da Gamela (dia 29), no Centro Cultural Plataforma: R$ 2 (inteira) e R$ 1 (meia)

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