Autor Camaçariense é Finalista do Festival Cultural Banco do Brasil
O Festival Cultural é uma das ações do Programa de Reconhecimento de funcionários do Banco do Brasil. Dividida em três categorias (música, fotografia e poesia), a edição 2009 terá o seu encerramento neste fim de semana (dia 14, sábado), em Brasília, quando serão conhecidos os vencedores, que receberão, dentre outros prêmios, viagem com acompanhante, troféu e exposição do trabalho.
Dentre os finalistas, na categoria poesia, está Carlos José Santos, 39 anos, contador, atualmente tesoureiro da prefeitura municipal de Camaçari; único representante da região Nordeste I, que inclui os estados da Bahia, Sergipe e Alagoas. A obra foi classificada dentre 454 trabalhos artísticos, deste segmento.
Trata-se de um texto poético simulando um diálogo, inserindo poetas consagrados como Patativa e Gregório de Matos. O nome da obra é Vou ser Poeta e os leitores deste site poderão apreciar, logo abaixo!
Parabéns, Carlos! Ficaremos, daqui, torcendo por você! E a arte de Camaçari já é vencendora!
VOU SER POETA
- Lá vem ele de novo
Mal lê e escreve, só assoletra.
Já quer ser chamado
De escritor, de poeta.
– Deixe disso! Pare de inveja
Tenho traço refinado, nada furreca.
Consigo até rimar
Patinho feio com filho de marreca
- Agora eu vi!
Filho de pai semi e mãe analfabeta
E fica pensando
Que pode ser poeta
– O que seria do Assaré
Sem o seu Patativa
Perfeita simetria
Poeta morto, obra viva!
- Vai pensando que é só escrever
Tenta das letras sobreviver
Em nosso país pra aparecer
É preciso sumir. É preciso morrer!
– Não quero passar a vida inteira
Em barraca de feira
Vendendo prato, pinico e caneca.
Quero ser um Gregório
Vou ser poeta!
- Só porque passou pelo pelô
E de sua casa viu uma fresta
Já sai achando-se o “Boca do Inferno?”
Desista de ser poeta
Sendo um homem afortunado,
Serás um Gregório.
Não pela poesia
Mas por ser excomungado.
Nem tente me desanimar
Registro a vida em sua simplicidade
Se não prestar pra poeta rural
Vou ser poeta da cidade
- Escute aqui o seu amigo velho
Trabalhe muito pra construir um teto
É loucura querer ser poeta
Num país cheio de analfabeto
- vou seguir tentando
Sem escrever sou eu sem mim
Na vida vou observando
Vou aprendendo a sentir
- Continuo achando besteira
Isso de ser poeta
Sofrer a vida inteira
Fechando duas portas pra ver uma aberta
- Vou correndo pra casa
Escrever essa nossa conversa
O duelo do pessimismo
Contra a sagacidade
Registrar sem pressa
E esperar pelos versos da eternidade.
Out/2005.


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