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Mestres do samba-chula em Salvador


Fonte – A tarde online

João do Boi, 65, aprendeu as chulas que grita nos sambas acompanhando, escondido, o pai. Hoje guarda tantas na cabeça que nem arrisca dizer quantas são. Mesmo porque ele não ficou só na lembrança, também cria suas chulas quando vai pescar, quando repara no que alguém diz ou vê uma mulher bonita passar. Algumas delas foram parar no CD Quando dou minha risada  Ha Ha, que venceu na Bahia o Projeto Pixinguinha e foi lançado domingo passado,  em Jequié, e na quinta, em Salvador.

Nos shows e no disco, João vai acompanhado pelos amigos do Samba Chula de São Braz. São Braz, distrito de Santo Amaro, é onde nasceu. Sobrevivia botando cana na usina e carreando boi, hoje trabalha para a prefeitura e pesca no mangue ali perto da sua casa.

Do samba ele tira um dinheirinho em shows que o Samba Chula de São Braz volta e meia faz em Salvador e São Paulo, mas gosta mesmo é do movimento e da bagunça do samba sem compromisso, que anda rareando. “Antes, sempre quando tinha reza, caruru, tinha samba. Era três, quatro por noite, e ia até umas hora. Mas hoje o  caruru tá se acabando, tá todo mundo indo pra lei de crente. Eu, graças a Deus, gosto do samba e hei de morrer é nisso“.

Ouça trecho de samba, cachaça e viola

 

Mestre Zeca Afonso, 74, vive numa casa simples, em São Francisco do Conde. Ele aprendeu a sambar com o avô, que depois de um acidente, o fez prometer que não deixaria a chula morrer quando ele se fosse. “O samba-chula é uma manifestação folclórica. Veio da África no século 18 trazida pelos escravos, quando vieram plantar cana  aqui no Recôncavo. Sei porque meu tataravô foi um dos escravos. Foi passando de geração pra geração, porque era uma coisa de muito valor, era como um ouro, uma coisa tirada do céu“.

A chula também é conhecida como samba de viola, seu Zeca explica por quê. “A chula tem os instrumentos certos. E tem que ter a viola machete, de dez cordas“. Em 1966, ele cirou o grupo Filhos da Pitangueira, que está com 38 integrantes, grande parte familiares seus – filhos, netos e até bisnetos.  Em 2005, eles se apresentaram no Palácio do Planalto, em Brasília, no evento que transformou o samba em Patrimônio Imaterial da Humanidade.

Ouça o som do Filhos da Pitangueira

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