Indique





Indique este artigo | Imprimir

Chupeta eletrônica


Fonte: Revista de História da Biblioteca Nacional – http://www.rhbn.com.br/v2/home/?go=detalhe&id=2755

 

tvHipnotizadas pela televisão, a cada dia crianças brasileiras passam horas em frente ao aparelho. Adultos aproveitam a “babá” para fazer suas coisas. Bernardo Camara “Sem a TV eu não vivo”. Dita por uma criança que não passava dos 10 anos, a frase foi colhida numa das inúmeras pesquisas que Rosalia Maria Duarte acompanha. Professora do Departamento de Educação da PUC-Rio, ela estuda a  íntima relação entre as crianças e a televisão. E diz que não são mais os adultos, mas a telinha quem faz a mediação entre os pequenos e o mundo.

“A gente pode considerar isso preocupante, pois o adulto tem a possibilidade de filtrar o que considera adequado para ser visto. Sendo a TV essa mediadora, ela oferece à criança o acesso a temáticas que ainda são inadequadas, e que podem gerar conflito, sofrimento e instabilidade afetiva”, diz.

Segundo levantamentos realizados sobre o assunto, as crianças brasileiras entre 4 e 11 anos passam uma média de três a quatro horas por dia sentadas em frente aos aparelhos televisivos. E isso não é coisa recente. Desde os anos 1980, quando o mercado publicitário teve o estalo de que esse era um público consumidor em potencial, começaram a surgir os primeiros programas voltados para ele.

Os anúncios publicitários vieram atrás, o que, para Rosalia, foi o grande problema. “Em geral, a programação infantil é boa, feita com cuidado por gente que estuda o assunto. Mas ela é atravessada por uma publicidade gigantesca de produtos para crianças. Esse estímulo ao consumo desenfreado, sim, é negativo”.

A professora pondera que existe vida inteligente e interessante na TV para a garotada, mas que a quantidade sufocante de dados que saem da tela pode ser impactante. “O excesso de informação gera mal estar. É como comer algo para o qual seu corpo não está pronto. Por vezes, a criança não tem estrutura cognitiva e emocional para lidar com determinado assunto”.

Apesar disso, a nova geração de brasileiros não desgruda da TV. Assim como na Europa, conforme mostrou uma recente pesquisa divulgada por um programa da BBC Londres. Lá, as crianças também passam uma média de três horas diárias com os olhos fixos na tela. [http://freeonlinedocumentary.com/is-tv-bad-for-my-kids/]

Nesse estudo, vários meninos e meninas entre 7 e 8 anos foram afastados por duas semanas dos aparelhos, para se ver no que ia dar. Ficaram mais calmas, brincaram mais entre si, dormiram mais tranquilas. Os adultos que cuidavam delas afirmaram ter sido válida a pesquisa. Mas “exaustos e enlouquecidos”, pediram a Deus que voltasse com a TV, pois tiveram que suprir a falta dedicando mais tempo aos pequenos.

Por aqui não seria diferente, acredita Rosalia: “A TV hoje assumiu esse papel de cuidar das crianças, para que os adultos tenham tempo para cuidar de suas coisas”.

 

Deixe um comentário