Educação, Cultura e Diversão
Por Blog Acesso (http://www.blogacesso.com.br/?p=2565)
A Psicologia já concluiu que é durante a infância que o indivíduo desenvolve a base para a construção da cidadania. Nesse período, toda atenção e estímulos positivos são contribuições fundamentais para a inserção da criança no contexto em que vive. E promover meios para uma nutrição cultural passa a ser tão importante quanto uma alimentação equilibrada. Que o diga a escritora e publicitária Mariana Caltabiano, que encontrou a linguagem certa para transmitir mensagens construtivas e educativas aos pequeninos. De um modo lúdico e, ao mesmo tempo, responsável, suas criações viraram livros, programas de TV e até filmes. Boa parte deste acervo pode ser acessado gratuitamente no site da escritora: http://www.marianacaltabiano.com.br/.
Em entrevista ao Acesso, Caltabiano fala sobre as estratégias que desenvolveu com o propósito de estimular a curiosidade do público infantil em relação à aquisição do conhecimento.
Acesso – Como aconteceu a transição da carreira de publicitária à de escritora de histórias infantis?
Mariana Caltabiano – Em 1995, fui estudar cinema em Nova York e acabei me encantando pelo curso Livro para Crianças. Mas pensava: sou publicitária, vim estudar cinema e vou fazer um curso de livro para crianças? Por outro lado, entrava nas livrarias e ficava fascinada com as cores, com os desenhos, as histórias… e acabei decidindo por tentar escrever uma história sozinha.
Acesso – Que processo você adotou para escrever seu primeiro livro?
M.C. – Passei a relembrar os livros que gostava de ler quando era criança e me veio à memória uma história, que eu desenhava em meu caderno, sobre um reino feito de comida: montanhas de sorvete, rios de chocolate, nuvens de algodão doce. Comecei a pensar em tudo que poderia ter de legal naquele reino, em seus habitantes e daí surgiu o livro Jujubalândia. Eu fiz um boneco desse livro e a capa original, inclusive, era toda feita de jujubas de verdade. Conservo esse livro até hoje, no congelador da casa da minha mãe.
Acesso – Do projeto para o livro…
M.C. – Quando voltei ao Brasil, levei o projeto para avaliação da editora Brinque-Book, que acabou publicando (1997). Mas a ideia continuava na minha cabeça como algo que ia além do livro e, por ocasião do lançamento do título, enviei exemplares a alguns apresentadores de TV com uma carta. Três dias depois, recebi um telefonema da produção da Xuxa, me convidando para ir no programa da apresentadora. Fui e a resposta da audiência foi um sucesso, tanto que fiz um piloto e o SBT acabou comprando 120 episódios de 4 minutos.
Acesso – Hoje, toda a sua produção artística é disponibilizada gratuitamente na internet, o que permite que um número maior de pessoas acesse o conteúdo. Como surgiu essa iniciativa?
M.C –Tenho uma parceria com o IG há 10 anos, e investimos o retorno de publicidade na produção de conteúdo gratuito. Quando o Matinas Suzuki e o Nizan Guanaes começaram o IG, já conheciam o meu trabalho e me convidaram para ser a pessoa responsável pela área infantil do projeto.
Acesso – Qual a recepção da obra literária, lida via digital?
M.C. – A recepção é muito boa. Por exemplo, o livro Aquecimento Global, lançado em 2006 e disponibilizado na rede, é indicado pelo MEC e foi adotado por diversas escolas. Esse era um tema que vinha sendo debatido nas escolas – inclusive na dos meus filhos – na mesma época do lançamento do filme Uma Verdade Inconveniente, de Al Gore. No Brasil, ainda não havia nenhum material sobre o tema voltado para crianças e tive a ideia de criar um personagem, o Super V, para explicar aos pequenos o que era o aquecimento global.
Acesso – Você conhece histórias de pessoas que não leriam seus livros não fosse a disponibilização gratuita na internet?
M.C. – O livro é virtual, e o MEC indica às escolas, que o adotam. No próprio site do MEC, os professores podem comentar sobre o livro e avaliá-lo. Através de comentários e de-mails recebidos, sabemos que o livro vem sendo bem utilizado. Acho bacana que as escolas tenham acesso a esse tipo de conteúdo de forma gratuita. Hoje, recebemos 3 milhões de visitantes por mês. Em termos comparativos, um livro impresso atingir essa marca é muito difícil.
Acesso – No campo da animação, como você vê o cenário hoje? Há espaço e possibilidades para quem quer atuar nesse ramo?
M.C – Cada vez há mais espaço, pois contamos muitas mídias que antes não existiam. Com a internet, você pode criar uma animação na sua casa e postar no Youtube, ou seja, você tem uma vitrine para mostrar seu trabalho, então ficou muito mais democrático. Existem softwares como o Flip Boom Animation Program for Kids que permitem que até uma criança crie uma animação. Não há mais limite, é um novo mercado que está se abrindo no Brasil. Fora que já não é mais tão caro fazer animação quanto foi um dia, quando era tudo feito no acetato, pintado à mão. A partir de agora, o que conta são as ideias e não as ferramentas ou o dinheiro que você tem para produzir.
Acesso – Como essa democratização da internet contribui com a educação?
M.C. – O Iguinho, por exemplo, já é utilizado nas escolas e eu descobri um programa que serve para alfabetização de adultos. Nós montamos também vários jogos de inglês para crianças, em que ela passa o mouse na figura e vê aparecer o nome.
Acesso – Existem medidas governamentais que contribuam para o crescimento da animação?
M.C. – Eu acho que as leis de incentivo vêm contribuindo bastante, uma vez que são produzidas séries que até então não existiam no Brasil. Antes, era apenas o Maurício de Souza que produzia e, hoje, existem 4 ou 5 animações brasileiras nos canais de TV.
Acesso – A Mariana Caltabiano Criações utiliza leis de incentivo em suas produções?
M.C. – Para o site não, mas para as produções sim. Já utilizamos a lei de incentivo do audiovisual nos filmes As Aventuras de Gui e Estopa, Gui e Estopa no fundo do mar e Bichos do Brasil. Agora, estamos produzindo, com ajuda da lei de incentivo, o primeiro longa-metragem brasileiro em 3-D com óculos, o Brasil Animado, que será lançado em outubro desse ano.
Acesso – Que estratégias o estúdio adota para garantir a distribuição de seus filmes?
M. C. – As aventuras de Gui e Estopa foi um filme de baixo orçamento. Para uma melhor distribuição, eu deveria trabalhar com alguma distribuidora, como a Paramount, Universal, ou Fox, mas não segui esse caminho porque queria ter a liberdade de ceder o filme para qualquer festival de cinema que me solicitasse, sem cobrar por isso. Com essa escolha, ganhei menos dinheiro, mas minhas produções atingiram mais pessoas. Outra estratégia foi participar do Projeto Escola Cinemark, que atua em todo o Brasil e tem contato com as escolas. Depois, eu vendi todo o conteúdo para o Cartoon Network, que o exibe aos domingos. A ideia é que, após a exibição na TV, o conteúdo seja disponibilizado na internet, pois assim não será preciso ter canal pago para assistir.
Acesso – Existe a intenção de gerar mais ações como a do Projeto Escola Cinemark, de levar produções a preços populares, ou mesmo gratuitas, às escolas?
M.C. – Sim. No caso do Brasil Animado, além da versão 3-D, vamos fazer também a versão 2-D, justamente para que o filme seja exibido em escolas e comunidades de baixa renda. Na verdade, quando conversamos com os patrocinadores, sugerimos que o filme fosse exibido para seus funcionários e para comunidades. No próximo semestre de 2010, pretendo exibir os filmes Fundo do Mar e Bichos do Brasil no Projeto Escola Cinemark.
Acesso – Como essas ações culturais contribuem para a formação das crianças?
M.C. – Essas ações estimulam a criatividade e a curiosidade da criança. No Brasil Animado, por exemplo, contamos histórias de vários Estados do Brasil. Quis mostrar que o Brasil vai além dos estereótipos, que é um país completo, cuja diversidade não existe em nenhum outro lugar. A ideia é que a criança saia da sala de cinema com vontade de saber mais sobre nosso país. Acredito que educação, cultura e diversão podem andar juntas.
Acesso – E que tipo de estratégias e linguagens podem estimular o acesso à cultura?
M.C.- Gosto de usar o humor como estímulo à cultura. As crianças recebem melhor as mensagens educativas se elas forem transmitidas de maneira divertida. Estudei bastante o programa Vila Sésamo e percebi que eles também usam o humor para dialogar com as crianças.
Acesso – E o que é necessário para uma efetiva democratização do acesso à cultura audiovisual?
M.C. – Acho que a internet e os festivais de cinema com preços populares já estão ajudando bastante a democratizar a cultura. Programas como o Projeto Escola do Cinemark também são muito interessantes, permitem que crianças que nunca entraram numa sala de cinema tenham acesso a esse tipo de arte.
Laís Nitta / Blog Acesso


Inicio
Quem Somos
Linhas de Ação
Espaços
Parceiros
Multimídia
Projetos
Notícias
Teatro
Centro de Eventos
Localização
Agenda
Contato
Links