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Investimento Cultural Privado


Fonte: Cultura e Mercado – Leonardo Brant

As corporações precisam criar novas perspectivas e dimensões capazes de aprimorar seu relacionamento com a sociedade e com os mercados. A cultura, a ética e a sustentabilidade precisam ser dissecadas muito além das visões  departamentais e dos discursos prontos, porém vazios. Investimentos em empreendimentos socioculturais e cidadania corporativa devem ser entendidos como inteligências para a configuração de ações e relações orgânicas, conscientes e efetivas com a sociedade.

Este estudo pretende formular uma terceira via, capaz de abarcar a confluência de interesses público e privado numa sociedade cada vez mais pautada pelo consumo e pela voracidade dos mercados. A proposta apresentada não visa esconder ou dissimular os interesses privados das empresas, tampouco minimiza as fragilidades da gestão pública da cultura e da fragmentação da sociedade civil, alheia e distante dos processos de participação e construção da nossa recém conquistada democracia.

A relação das empresas com a cultura não está restrita à maneira como se desenvolve o seu mecenato empresarial. Deve incluir todas as relações humanas num ambiente organizacional, as dinâmicas de convivência com as  comunidades onde se faz presente e a corresponsabilidade pelo desenvolvimento cultural da sociedade onde desenvolve suas atividades mercantis.

A partir das considerações apresentadas, é possível propor uma série de apontamentos em torno de práticas  empresariais. Desse modo, atuar em cultura com responsabilidade pode significar:

    * A preservação e a promoção da diversidade cultural a partir de práticas culturais de cada indivíduo, grupo social ou território.
    * O respeito e a celebração das capacidades locais, desenvolvendo, a partir do diálogo, mecanismos próprios para o aprimoramento dessas práticas.
    * A valorização das ações culturais como forma de garantir a autoestima e a capacidade de expressão de todos os  cidadãos.
    * A garantia do protagonismo das pessoas envolvidas no processo cultural.
    * A busca do diálogo e associação das ações com as políticas públicas existentes.

A relação entre uma empresa e a ação cultural incentivada deve extrapolar a mera busca de visibilidade. Nessa situação, os sistemas de aferição quantitativos de audiência e exposição reforçam a falsa sensação de que produtos culturais de alto valor educativo têm menor valor comercial, pois seu apelo tende a ser reduzido.

A análise do objeto de investimento deve levar em conta fatores mais abrangentes como:

    * Riqueza e profundidade da pesquisa estética e de linguagem.
    * Qualidade e profundidade da experiência cultural.
    * Vínculo identitário em relação à memória e à formação cultural do ambiente social onde está inserido.
    * Credibilidade dos agentes envolvidos.
    * Independência e liberdade de criação e expressão em relação às instâncias de poder (governos, grupos empresariais, mídias tradicionais).
    * Resíduo e capacidade de continuidade da ação a partir do investimento.
    * Condição e capacidade de sustentabilidade da ação cultural.

Precisamos reconhecer e valorizar a Cultura como elemento fundamental para o desenvolvimento humano e social. Compreende o compromisso de todo cidadão com todas as formas de vida como condição indispensável e indissociável para a sua própria evolução. E trabalha pela construção de um novo sentido público para a cultura, mais abrangente e contemporâneo, capaz de lidar com a compreensão dos fenômenos e  contradições da pós-modernidade.

* trecho do livro O Poder da Cultura.

http://www.culturaemercado.com.br/ideias/investimento-cultural-privado/

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