Namíbia, não! leva público a debater questões raciais
Em cartaz por dois dias no Teatro Cidade do Saber, Namíbia, não! foi um sucesso de público. Além da instigante trama, o bate-papo realizado após a sessão do sábado (03/09) foi outro ponto alto da programação, contando com a presença do diretor do espetáculo, Lázaro Ramos.
Lázaro e os atores Flávio Buaraqui e Aldri Anunciação (este o autor da peça), mediados pela diretora do Teatro Cidade do Saber, Vadinha Moura, conversaram por mais de uma hora, com uma platéia participativa, sobre as particularidades da produção, tais como a preparação do tema, dos atores, do cenário, da direção e, claro, sobre a posição do negro na sociedade brasileira e o preconceito racial.
Apesar de usar artifícios do humor e de ironias inteligentes que induziam ao riso, os espectadores foram levados a reflexão sobre a história do povo negro, políticas de reparação no Brasil e as contradições de uma população miscigenada, formada em sua maioria por afro-descendentes, a qual avança, em séculos, a passos lentos, na compreensão do seu processo histórico e na eliminação deste racismo velado do país.
Para Lázaro Ramos “em tempos comunicação via internet, onde tudo acontece numa tela, a oportunidade de estar em uma sala de teatro, com esta interação, conversando sobre esta (ainda) ferida aberta na sociedade, que é o racismo, tem muito valor”.
Flávio Buaraqui e Aldri Anunciação, mostraram-se também encantados pela oportunidade de debater o tema, pois acreditam que ocasiões como estas se perpetuam na vida das pessoas a partir do momento em que cada um leva para casa a mensagem do tema proposto.
A peça, uma fábula de um tempo futuro em que negros são deportados de volta ao continente africano, deu um tom fantástico ao assunto, mas não o impediu sair do palco e materializar-se na mente do público, que se deixou levar pelo riso contaminado de consciência e sabedoria, mostrando o racismo como algo próximo, vivo e que deve ser combatido a todo custo.
O bate-papo, que logo se transformou em debate, ficou marcado nos acontecimentos culturais de Camaçari, já que estavam presentes em sua maioria, não doutores ou estudiosos do assunto, mas sim o povo, que se confrontava com suas próprias mazelas sociais diárias e que sem perceber, exerciam ali, o poder de transformação do teatro.
Leia também, em nosso blog: “Bate-papo sobre “Namíbia, não!” no TCS é destaque no Caderno 2+” – http://migre.me/5DuN0
Daniel Quirino – Ascom Cidade do Saber


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6 de setembro de 2011 às 22:05
Muito Bom ator Lázaro Ramos, e Namíbia e um ótimo espetáculo.